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9 de set. de 2026

Quando termina uma história de amor? Na hora da despedida ou somente quando cicatrizam as feridas?

 

É o apaixonamento uma forma de autoengano?

Após ser bloqueado por Lisa, uma mulher magnética e inalcançável com quem viveu uma relação intensa, Puán mergulha em uma espiral de desejo, ressentimento e autoengano. Incapaz de aceitar o fim, ele revisita obsessivamente cada encontro, cada contradição e cada gesto ambíguo da amante, tentando provar a si mesmo que aquilo que viveu foi mais do que uma paixão unilateral.

Entre conversas com amigos, sessões de terapia, lembranças eróticas, viagens, aplicativos de namoro e anúncios algorítmicos que parecem ler sua dor, o narrador transforma a perda em investigação íntima. Aos poucos, a história de Lisa também emerge: sua infância marcada pela rejeição, seus casamentos, suas fugas, seus excessos e sua busca permanente por desejo, elegância e validação.

Com humor ácido, linguagem provocadora e forte carga psicológica, o romance Tango Feroz explora os limites entre amor e obsessão, realidade e fantasia, vínculo e projeção. No centro da narrativa está a pergunta que o protagonista tenta evitar: até que ponto amamos o outro — e até que ponto apenas nos apaixonamos pela mentira que contamos a nós mesmos? 

Publicada pela Editora Patuá, essa é a primeira obra de ficção de Fabián Echegaray.


Adquira o livro AQUI.

 

Fabián Echegaray foi professor da UFSC em Florianópolis, Universidad de Buenos Aires (Argentina) e Trinity College (EUA) e é autor de numerosos artigos científicos e livros acadêmicos no campo da opinião pública, comportamento social e político e sustentabilidade. É doutor em Ciências Políticas pela University of Connecticut (EUA), foi consultor do PNUD das Nações Unidas, presidente da WAPOR Latinoamérica (World Association for Public Opinion Research) e palestrante frequente dentro e fora do Brasil sobre temas de comportamento político, sustentabilidade e consumo consciente.  

Mais detalhes sobre a obra e o autor, aqui: https://www.instagram.com/fabianechegaray_lit/

2 de set. de 2026

Uma corrida pela tormenta do contemporâneo

 

O livro acompanha, em primeira pessoa, um dia de corridas de um motorista de aplicativo, lidando com os conflitos e crises que surgem em sua própria vida, enquanto tenta não se deixar tomar pelos conflitos trazidos continuamente pelos passageiros. Uma corrida pela tormenta do contemporâneo, através da cidade e do trânsito, contra as expectativas, e apesar dos homens. 

 

Informações a compra da obra:

https://www.oterroristadoces.com.br

  

Booktrailer do livro 

 

V. Tavares nasceu em 1986. Desde cedo entusiasmou-se pela contação de histórias de seus pais e, mais tarde, pela literatura por meio dos seus mestres da escola pública, em cujas bibliotecas sempre passava mais tempo do que era permitido. Publica agora este seu primeiro romance. O autor ainda não morreu.

3 de mai. de 2026

Escritor lança obra poética sobre a finitude e o cotidiano

Sob o pseudônimo de O Rei Ricardo Coração de Leão, autor reúne poemas em novo projeto contemplado pela Lei Aldir Blanc. 

desvirtude ou fragmentação pragmática do plano material é o mais novo projeto literário d'O Rei Ricardo Coração de Leão. O autor, em seu segundo livro, compila uma seleção de poemas produzidos ao longo dos últimos cinco anos, mergulhando em uma estética que une o romantismo literário a uma visão introspectiva e sentimental da existência. 

Estruturada em torno de dois eixos centrais — a morte e o sonho —, a obra propõe uma profunda jornada filosófica através das "pequenas coisas" do dia a dia. Ao questionar os limites entre a realidade e o onírico, somos convidados a uma pausa reflexiva frente à liquidez e ao imediatismo dos tempos contemporâneos. Temas como a melancolia, o enclausuramento, a passagem do tempo e a nostalgia conduzem a narrativa poética, que ganha contornos visuais com as ilustrações dos artistas Felipe Lima e Maria João.

 

Trajetória e Reconhecimento 

Seu livro de estreia, Registros de um casulo antropofágico (2021), também viabilizado pela Lei Aldir Blanc, conquistou espaço em importantes publicações especializadas de todo o país, como as revistas Sucuru, Kuruma'tá, Tamarina Literária, Víscera e Urro! Contragolpe Cultural. 

A nova obra reafirma a voz de um autor que transforma angústias pessoais em fragmentos universais, oferecendo um respiro necessário em meio à "desvirtude" do cotidiano. 

A obra pode ser acessada digitalmente através dos volumes temáticos:

 

Acesse desvirtude - MORTE

https://drive.google.com/morte

 

Acesse desvirtude - SONHO

https://drive.google.com/sonho


18 de nov. de 2025

'Hum', de Samir Mesquita

"Hum é uma cidade na Croácia, murada e erguida sobre pedras. É oficialmente considerada a menor cidade do mundo. Quando o livro foi escrito, viviam ali pouco mais de vinte habitantes — entre eles, apenas uma criança.

Em HUM, de Samir Mesquita, Karlo é essa criança. Chamado de “Príncipe de Hum” pelos moradores, vive em busca do pai desaparecido na guerra. Sua mãe diz que ele se foi com os combates, e por isso Karlo deseja que a guerra volte — para que traga o pai de volta. Enquanto o menino escala muros atrás de feridas que nunca se fecham, o poeta Tomo, cego e louco, percorre as ruas dizendo verdades que só a poesia e a loucura conseguem revelar.

Sob a capa áspera, impressa sobre lixa, o livro convida o leitor a atravessar os muros dessa pequena cidade.

O projeto gráfico traz ilustrações também do autor, criadas com pedras, como se fossem pincéis."



Instagram do autor: @samir_mesquita

6 de out. de 2025

Sandra Modesto lança 'O tempo da gente'

 

Este livro é marcado pela coragem que desafia o leitor, conduzindo-o pelos caminhos da inquietude e do desbravamento poético em busca do eu-mulher. A irreverência dos versos, ora soltos, ora entrelaçados, revela-se como uma lente que atravessa o tempo. 

Entre o imaginário e o real, emerge a perspicácia da autora, que transforma questionamentos e temas vigorosos em um convite instigante à leitura.


Playlist do livro

Onde Comprar

No site da editora.

Serviço 

 

Sandra Modesto é mineira de Ituiutaba. Graduada em Letras e pós-graduada em Educação. Também autora dos livros Acenda a luz, Tudo em mim é prosa e rima, Era sábado, Sonhos e perdas & outros contos. Tem textos publicados em várias antologias. Foi finalista do concurso Micro conto de ouro 2022. Acredita no fazer literário. É movida a desafios. Ama o passar do tempo. 

Saiba + sobre a autora

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30 de set. de 2025

Gustavo Rossetti Viana lança o seu segundo romance: 'Galeria Metrópole'

 

O novo livro do escritor e jornalista aborda, com humor e irreverência, temas espinhosos e atuais como intolerância, solidão, machismo, relacionamento na era dos aplicativos e a fragilidade dos laços afetivos. 

Repórter freelancer e jurado do Prêmio Jabuti, o jornalista e escritor Gustavo Rossetti Viana lança o seu segundo romance, Galeria Metrópole (Editora Patuá), uma epopeia tragicômica sobre a complexidade dos relacionamentos amorosos nos dias de hoje. 

Em Galeria Metrópole, acompanhamos a epopeia tragicômica de Augusto Vidal, funcionário público em crise existencial em busca de um grande amor. A história se passa em três tempos: enquanto o protagonista se envolve em relacionamentos líquidos e fugazes, recorda o fracassado casamento em busca de respostas sobre o que teria dado errado. Em paralelo, mergulha em sonhos e devaneios de um passado que não viveu.

Imerso em um trabalho burocrático e sem graça, Augusto rejeita ser taxado como um burocrata e deseja ser reconhecido como artista e viver uma vida menos ordinária. Salpicado de referências à música popular brasileira – o protagonista tem obsessão pelo cantor e compositor João Gilberto –, o livro retrata uma sociedade atada à burocracia em seu ambiente corporativo, em contraposição à facilidade dos relacionamentos descartáveis na era dos aplicativos. Embora a distância para um encontro possa ser a de um mero clique no celular, Galeria Metrópole evidencia como as pessoas estão cada vez mais na defensiva, intolerantes, insensíveis, arredias e isoladas. 

Praça da República, Praça Dom José Gaspar, Galeria do Rock e Copan, entre outros pontos da região central da cidade de São Paulo, são o cenário da jornada de Augusto, um sujeito sem traquejo social, enquanto vasculha suas memórias, angústias e devaneios. Uma jornada marcada por alguns encontros e muitos desencontros. 

O primo Jonatas, integrante do mercado da sedução, é quem o incentiva e dá as dicas para ingressar no ramo da paquera. Na repartição, tem na secretária Carminha uma espécie de confidente. Já com o chefe Agenor, a relação é de puro ódio. 

Em seu segundo romance depois da instigante distopia político-esotérica Canceriano Sem Lar (2022), o escritor e jornalista Gustavo Rossetti Viana mantém a verve debochada, irônica e cínica, mas amadurece a sua escrita com uma trama intrincada sobre a complexidade dos relacionamentos humanos. 

Sem concessões e com uma narrativa irreverente e sarcástica, bem como diálogos ácidos e espirituosos, uma marca do autor, Galeria Metrópole é uma lufada de ar fresco para a literatura brasileira de humor, mas sem deixar de lado temas espinhosos como intolerância, crise conjugal, solidão, machismo e a fragilidade dos laços afetivos. 

Playlist – Galeria Metrópole 

Galeria Metrópole conta com uma playlist (acessível via QR Code do Spotify) com 55 músicas citadas durante o livro. É uma seleção bastante eclética que vai de Tom Jobim e Chico Buarque a Menudos e Raça Negra, passando por Adriana Calcanhoto, Caetano Veloso, Legião Urbana, Lulu Santos, Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Celly Campello, Daniela Mercury, Luiz Melodia, Karina Buhr, Baden Powel e Vinicius de Moraes.

 

Serviço 

O lançamento acontece na Livraria Patuscada (Rua Luís Murat, 40 - Vila Madalena), no dia 4 de outubro (sábado), das 17h às 22 horas. 

 

Gustavo Rossetti Viana nasceu em São Paulo (SP) em 1978. É escritor e jornalista. Atua como repórter freelancer para jornais, revistas e sites, como a Gazeta Mercantil, o Valor Econômico e a Folha de S. Paulo. Trabalhou como redator do Pacto Global das Nações Unidas (ONU), do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e da FecomercioSP. Como repórter, produz matérias sobre temas como meio ambiente, sustentabilidade, empreendedorismo, turismo e literatura. Tem experiência como editor e coautor de biografias, livros-reportagem, relatórios de sustentabilidade e publicações institucionais. Autor dos livros Canceriano Sem Lar (2022) e Galeria Metrópole (2025), foi Jurado do Prêmio Jabuti (2023 e 2024), palestrante da Festa Literária Internacional da Mantiqueira – FLIMA (2025) e integrou a Sessão dos Autores Independentes na Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP (2025). Amante de literatura e cinema, fotógrafo amador e viajante contumaz, é canceriano com ascendente em capricórnio e ama a diversidade étnica, cultural e gastronômica de São Paulo, mas costuma fugir para a natureza – sobretudo para a Serra da Mantiqueira – quando o trabalho permite.

16 de jul. de 2025

‘Os ratos vão para o céu?’, de Vitor Miranda

 

Nestes contos sobre a infância, Vitor toca em pontos que fogem da própria psicanálise. Trabalhado num texto de conceitos poundianos, misturado com a comunicação dinâmica de nossos dias, seu característico humor sarcástico e uma pitada de realismo fantástico, relata uma espécie de distopia neurolinguística. Mexe em lugares muito perigosos da mente humana. Um bebê na primeira palavra deixa de dizer pai ou mãe, para dizer Google. A deturpação da retina do narrador ganha destaque nesse livro, que é o seu mais radical. Nos faz deixar de achar absurdo a possibilidade de engravidar de um sapo depois de engolirmos tanto sapo na vida. Vitor pega pesado em sua literatura. O livro é absurdamente provocador. Escancara como nós somos assassinos. Depois dos poemas de Exátomos (seu livro anterior) nos mostrar que pioramos, Os ratos vão para o céu? Mostra a crueldade das crianças. Quem escreveu esse livro de contos foi a sua criança mais revoltada. Acima de tudo, Miranda escreveu um dos livros mais políticos dessa geração ao nos colocar de frente para a tortura de nossas infâncias que um dia chamamos de futuro da nação. 

Prefácio na ratoeira, por Xico Sá 

Estava terminando a milésima releitura de Ratos e homens, escrito em 1937 pelo phodástico John Steinbeck, quando me chegou o original encadernado do livro-pergunta de Vitor Miranda. Os roedores amam literatura como apreciam queijos de todos os tipos e origens. A literatura retribui esse estranho amor: Os ratos (Dyonélio Machado) e O riso dos ratos (Joca Reiners Terron), sem se falar no barulho dos ratos nos armários de Angústia (Graciliano Ramos). 

Os ratos vão para o céu?, de Vitor Miranda, nos devolve os roedores em um momento atordoado da infância. Um ratinho cobaia da nossa eterna falta de humanidade. Terá salvação? Existe o paraíso dos roedores para aplacar a nossa culpa? Semeio mais interrogações nesse campo minado. 

Este livro está repleto de assombros que reverberam lá do começo da vida. Os assombros que ficam para sempre. E viram ficção, conto, sapo ou fábula. O autor tira o melhor dos proveitos. Os fantasmas agradecem ao fabulário geral aqui descrito. Os fantasmas, como os ratos, preferem literatura à terapia ou psicanálise. 

Os pesadelos crescem e ficam adultos. Eles ainda estão aqui, junto com ratos, medos, interrogações e a crônica da realidade punk. 

“Cachorros ateus se comiam em frente ao velório”. Aqui já pulamos para outro conto fantástico. A vida se bole em um cenário de morte. Tudo pulsa e chama para o jogo de quem sabe lutar com palavras. 

Vida noves fora zero. Pule para dentro, leitor, é sobre ratos, homens pequenos & grandes, com diálogos para comover. 

Uma última advertência: costela no bafo não rende poema. Aproveite. 


Para adquirir o livro, acesse o Selo Marginal:

https://www.instagram.com/selo_neomarginal/

Ou entre em contato diretamente com o autor. 

 

Vitor Miranda é poeta e escritor paulistano com vivências pelo Paraná e Minas Gerais. Atualmente se divide entre São Paulo e Valinhos. Entre poemas e contos e o romance experimental A moça caminha alada sobre as pedras de Paraty, lançou seu sétimo livro, Os ratos vão para o céu? É poeta e letrista da Banda da Portaria, projeto que nasceu para musicar os poemas de seu livro Poemas de amor deixados na portaria. É parceiro em letras e canções de Alice Ruiz, Rubi, Touché, João Sobral, Luz Marina, Zeca Alencar, entre outros. Criou em 2019 o videocast de poesia Prosa com Poeta, no qual entrevistou diversos artistas. É criador e líder do Movimento Neomarginal, grupo artístico que tenta vencer as amarras do mercado artístico misturando artistas de diferentes níveis (sociais) de público nos mesmos eventos. Está no Instagram.

2 de jun. de 2023

‘Tentei chegar aqui com estas mãos’, de Luciana Moraes


Entre uma realidade que existe e outras que não existem, mas que desejam vir à tona, somos convidados a imergir num fluxo contínuo, numa obra em travessia, entremeada de imagens e sons – navegações. Aqui surge uma escrita que não se resume à dor de um momento, à vinda ou ao lapso de alegria.

Tentei chegar aqui com estas mãos poderia ser lido como uma teia de poemas em interlocução, ora ou outra, tendo elementos linguísticos do português brasileiro unidos a termos do tupi, maxacali, yoruba, inglês e espanhol . São linguagens que se procriam em diferentes versões de si mesmas, ora dialogando entre si, a partir do encaixe temático, ora pairando em lacunas especialmente deixadas no percurso.

O leitor poderá perceber que, a partir de cada um dos poemas (como unidades independentes, mas também intercambiáveis) é possível recomeçar uma nova trajetória de reinterpretação do estar no mundo. O desejo permanece inscrevendo o corpo como um poema infinito no coração de outra história;  o poema-corpo guarda e desvela seu estado presente no espaço, no passar de páginas; seu corpo-palavra segue buscando ressignificações, através de outros formatos e de novas palavras ocasionalmente criadas.

Na primeira seção, vemos poemas em diálogo ecfrástico com obras diversas, o que nos mostra que a experiência interartística nos oferece muitas possibilidades de acessos, saídas, uma diversidade de enquadramentos do olhar; geração de sentidos dessa escrita dialógica. Ainda nesta seção, há uma subseção, realizada a partir da leitura crítica de Água Viva, de Clarice Lispector e seu desdobramento em diálogos ecfrásticos.

Já na segunda seção, existe outra proposta, pois os poemas procuram realçar mais o questionamento da vida diante de situações do cotidiano, “tocado à espreita”. Desta vez, sem diálogo direto com obras artísticas, há ainda a intensa exploração dos recursos melo, fano e logopeicos. A experiência de leitura talvez possa inserir, quem a percorre atentamente, num universo de múltipla sensibilidade, até mesmo o verbo beirando o “deslimite” das expressões de um corpo sem órgãos artaudiano.

A pedra no meio caminho de Drummond, assim como a experiência de sufocamento de Kafka parecem ser resgatadas em determinados momentos, porém no sentido de querermos avançar com um outro corpo, desentranhado da pedra e das paredes, “o corpo no corpo recriando milhares”. Com autonomia em movimento, um feminino que visa estar fora do refúgio comum, para além de um estado asséptico.

Nessa escrita, em saltos semânticos, como uma espécie de “eterno retorno nietzschiano”, após um denso processo de 3 anos de pandemia, temos a denúncia de  emoções em série – entre o passado, o presente e o futuro, de modo anacrônico, em embaralhamento – quase que ininterruptamente, buscando o centro, o eixo vital na matéria. O sentido de reinvenção social vai se constituindo por meio do percurso de um corpo em movimento, questionamento e fabulação.

O “alvo grito de rapina” entrecortado nas brechas do papel talvez venha nos alertar como somos humanos e quão pouco nos realizamos nesta era viral do antropoceno, a ponto de precisarmos, de fato, ver o animismo tomar conta de nós. Nesse cenário de “eu-nosso-desmedido” da poesia, geramos novas significações às palavras, já tão surradas, em meio à vida ordinária.

O instante é extraordinário, incomensurável; mas o tempo passou e passa.

O abismo é aqui tocado, em cada instante, para alçarmos outros voos – melhores.

Quem sabe?!

 

Ultra-passagens

O poema dialoga com a obra Senecio (homem velho) (1922), Paul Klee

 

 

0. 
Vida, está aqui o recomeço,
espaço onde refaço o texto
anterior, desfeito em partes  

1.
Um anjo em brasa, à espreita, 
neste céu aberto da varanda

2.
Hoje, sexta, tão passada:
ontem ainda era segunda
toda a vista limpa, sem óculos 
tocando aquele céu aberto, soletrando-o 
à víbora do quebra-cabeça 
lecionando à pedra sobre estar no ar
mãos-pele-sopro-visão  

3.
tudo foi breve e o Agora vibra

4.
Escrevo contigo e sozinha
: com o tom drummondiAno e
um desentranhado tema da nossa espécie :
gravado no corpo com olhares
Fractais

5.
tergiversadas cores dessa sutura, unindo todas
as faces : uma paisagem híbrida, risos e choros
nas nuvens, neste umtempomuito, uma ferida doidamente
tão batida e tocada,
mas tão perplexa,
tão retrasada.

6.
Se confiaria no verbo
fazer? 

Tentei chegar aqui com estas mãos é um livro de poesia cujo nome já contém uma dubiedade proposital. Tentativa de chegar com “estas mãos” apresenta uma questão demonstrativa, um desvio do óbvio.  Nele, toco em temáticas paradoxais do ser humano, como o luto e a luta, a insatisfação e o desejo, por meio de diferentes tons, ritmos e (des)enquadramentos semióticos. A escrita segue em diálogo com os anos que temos vivido, porém, sob olhares diversos, como uma amálgama de sensações do corpo feminino que pulsa entre euforia, dor, lapsos e rememoração do tempo. Tive a intenção de explorar (no melhor sentido da palavra) o instante presente, desejando extrapolar a visão comum e descobrir outros sentidos para as palavras e para o caminho diário. Desse modo, escrever pode ser atuar com gestos dialógicos em várias esferas das artes (pelo saber e não saber), com intuito de sentir um tempo vívido: o “alvo grito de rapina”. E assim, principalmente por meio da poesia ecfrástica contemporânea, desenvolvo experiências estéticas com 31 obras de artes visuais, de variadas épocas. Há duas seções: “Diálogos Ecfrásticos”, com obras de Frida Kahlo, Clarice Lispector, entre outros artistas; e “Cotidiano Tocado à Espreita”.

Para adquirir o livro, entre em contato com a autora:

Instagram: @lucianaescreveaqui
Facebook: https://www.facebook.com/luciana.moraes.75098
E-mail: 
lucianaqmoraes@gmail.com

Ou https://istoedicoes.com.br/produtos/tenteichegaraqui/

Luciana Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 1993. Poeta, revisora e tradutora, graduada em  Letras (Unirio). Integra a equipe “Fazia Poesia” e o coletivo “Escreviventes”. Participou da “Oficina Experimental de Poesia” (RJ). Tem poemas em revistas como “Mallarmargens”, “Cassandra”, “Torquato” e “Letras Salvajes”. Presente em antologias e diferentes projetos como  Versão brasileira: a voz da mulher – coletânea digital de poesia, baseada na Independência do Brasil sob a perspectiva da mulher (2023, Prefeitura - RJ) – e Coletânea Off Flip de Literatura – Poesia (2023). Tentei chegar aqui com estas mãos é seu livro de estreia.

24 de mai. de 2023

‘Cavidade’, de Alexandre Mendes (obra póstuma)


Por agner nyhyhwhw
 

Alexandre Mendes era um inconformado. Esse inconformismo já pode ser sentido de cara no contundente texto "Mínimo", que abre o livro:  

"Lambe logo o meu chão,
Meu escravo; desgraçado
Deixa tudo bem limpinho,
porque eu pago seu salário" 

Aqui temos bem nítida a crítica sobre as relações trabalhistas costumeiras: é a escravidão moderna, a escravidão assalariada. Esse tema é um dos mais presentes na obra de Alexandre, retratado de forma visceral ou com inspirado sarcasmo em textos como “Ao patrão, com carinho”, “Salário”, “A ficção imita a realidade”, “Colisão de mentes” ou “Brêiqui de rullis”.

As instruções do seu patrão: 

. Senta aqui e escuta meu sermão do dia.
. Sorria sempre para as tarefas de adulto que lhe obrigamos a executar.
. Conforme-se com o salário de criança que nós lhe pagamos.
Brêiqui de rullis 

A escravidão histórica colonial também é tema de textos como "Acaso". Alexandre mostra que a escravidão continua, os escravos modernos seguem apanhando, seja do patrão, seja da polícia, seja da máquina produtiva que não pode parar, seja da indiferença. 

lá jazia o defunto
-Era só um vagabundo!
rabecão já vai chegar
Um cara 

O cotidiano da periferia, ou daquelas pessoas marginalizadas e sabotadas pelos detentores do poder, são assuntos frequentes. Como em "Cocôtidiano", cujo título já diz tudo. Ou em “No limite”, “Tropa de elite”, “Perdi o sono”, “Cálice”, “Bar da esquina”, “A queda”, “Meia hora”, entre outros.

"lá falta concreto
esgoto e dente"
Seu Manel 

 "Estamos com medo. Espero que encontrem logo o corpo."
Tive medo essa noite 

Em "O crime está vencendo?”, evidencia que a divisão da sociedade em vencedores e perdedores é uma grande falácia. Até mesmo a situação da polícia, soldados e demais guardiões da pátria e da ordem, é vista com crítica, mas também com humanidade, reconhecendo a perversa e famigerada estratégia de dominação de dividir e conquistar, colocando sabotado contra sabotado. 

“Anteontem era zagueiro
Ontem, era mau sujeito
E hoje, apenas estatística”
Condecoração de honra 

“A polícia é mau paga e às vezes desconta suas frustrações na gente. Tudo que eles querem é ouvir "sim, senhor" e "não, senhor".”
Recomendações de um macaco velho 

As temáticas na obra de Alexandre são grandes, passando por relações familiares, que nem sempre são exemplares ou amorosas, como a conturbada relação entre pai e filho vista em “Di pedra” e “Papai”; 

 "Não sobrou nada,
caro estranho, nada,
nada pra você"
Di pedra 

e as relações com a natureza e o mundo animal, retratadas sempre com empatia. 

 "(Adeus, breve nos veremos!)"
Uma vida (quase) sem vida

 "Homens por cima
Animais por baixo
Mas não tentem provocá-los
dentro de seu próprio espaço"
Animal Planet 

Fruto de uma visão de mundo ampliada de alguém que foi camelô, cobrador de ônibus, professor de história, entre outras funções, além de vivenciar a realidade de comunidades periféricas. Alguém que, não apenas estudava o mundo, mas o observava de perto, em sua múltiplas facetas, com respeito e humildade. E, apesar do olhar crítico, conseguia interagir com uma contagiante simpatia e bom humor, características também marcantes em sua obra. 

"Entrou no coletivo; deu um arroto e pulou a roleta: Levou um esporro do cobrador. Puxou 50 pratas do bolso e pagou a passagem, dizendo ao funcionário que ficasse com o troco. - Hoje, vamos quebrar a rotina!"
Brêiqui de rullis

"Assinval despejara todos os seus herdeiros sobre o bife do bundão da mesa dez."
O troco da gorjeta 

O mundo, as pessoas, a natureza, e as interrelações disso tudo em nossa confusa sociedade é retratado com admirável empatia e criatividade, como em "Glória", "Belo bela vista" ou "Terra". 

O inconformismo reverbera como uma revolta criativa e construtiva. 

"Ergueu a mão esquerda para o alto, tentando alcançar as estrelas, no ápice do esforço físico. 'Eu sou a natureza!'-Gritou."
Terra

As reflexões se estendem sobre os sentidos da vida e da morte, conflitos existenciais, o ser e o não ser, a verdade e o vazio. Reflexões estas que podem não apenas desconstruir o saber absoluto, como também a própria linguagem formal ou até a poética convencional. Temos assim "Lindo'', um subversivo poema cíclico de 11 páginas. Temos também "Irmãos Metralha", em que a crítica social vem junto à subversão das famigeradas conjugações verbais, tão entubadas nos alunos por anos e anos no ensino convencional das escolas. "A revolta das palavras'' é outro exemplo de subversão linguística, de forma bem humorada. A contundência, tanto da ideia, como do linguajar poético, pode ser sentida em "Seu Manuel". 

"O sábio que soube demais
geme e chora
tentando voltar atrás
descobrindo que a verdade aprisiona
…
dentro da sua verdade
que os outros sábios chamam de nada"
Sem açúcar 

"universo paralelo
FAÇA-SE PRESENTE"
Fé 

"Vê como é o destino?
Um dia é otimismo
crença em contos
verdade mau contada
outrora é escuro abismo,
e o fim da linha revela o nada."
GG Allin 

"Pra que o pra quê
de tudo isso?
Não sei… Quando eu comecei a tentar entender, já era desse jeito…"
[?]

"eu sei quem é você
então, por favor, me ajude
e me diga, afinal de contas:
quem sou eu?"
[??] 

Estas reflexões são tão fortes na obra de Alexandre que ele até criou o filósofo Nihildamus. 

Obra que, afinal, era também vasta como seu coração. 

"(A minha cara é bem feia, mas o meu coração é do tamanho de um planeta!)"
Ah! 

Este livro traz poesia e prosa, mas Alexandre também fez ilustrações, quadrinhos, zines, e colaborações em projetos diversos, material que ainda há de render outras coletâneas. 

Alexandre foi um artista que nos deixou antes do que deveria ser, mas seu legado permanecerá.

 Para conhecer mais sobre a obra: editoramerdanamao@yahoo.com.

Alexandre Mendes é fruto da efervescente cena cultural de Niterói/RJ dos anos noventa, mas de uma cena que não estava nos palcos e holofotes. Ele e sua turma preferiam perambular pelo submundo fazendo zines, poesias e muito mais. Sua morte prematura se deu enquanto fazia exercícios físicos e um carro desgovernado o atropelou. Atuou na primeira fase do zine O Berro, junto de Winter Bastos e Fabio da Silva Barbosa, e em outras frentes como o jornal Impresso das comunidades, também ao lado de Fabio e na produção de vídeos para seus canais do YouTube - destaque para a série Vida de Cobrador. Sua  obra experimentou várias formas e linguagens. Vale a pensa pesquisar para conhecer mais sobre este artista, professor e trabalhador que teve a vida marcada pelas dificuldades que todo cidadão periférico passa e o livro Cavidade é um ótimo começo.

15 de mai. de 2023

'Me leve em sua história', de Bezerra João


Entre emoções perdidas, o complexo sentimento indefinível, escritos em uma breve história e cartas, Me leve em sua história, de Bezerra João (João Vitor Bezerra de Souza) busca idealizar e explorar a individualidade, como também o amor, o ódio e a bondade sob o viés da tristeza.

No cenário idealizado por quem conta toda a narrativa que constitui o livro, as vidas de Teodoro e Oliver são exploradas em meio ao conflito, sobre o indefinível, na busca de saber quem são, como, também, onde estão, com o objetivo do fim, de cessar uma história, mas de suscitar as certezas que podem responder às suas dúvidas.

"Entretanto, há alguns anos idealizei um teatro. Neste fim eu o escrevo – é esta a sútil maldade que utilizo para despedir-me de ti. Os trágicos passos da encenação têm o seu fim, mas não cativamos àqueles que ansiávamos e os deixamos ir, imersos em apatia – distante do nosso tolo e demasiado conto. Mas, por mais alguns minutos desta fatídica história, me acompanhe até o fim. Se estiver apto a me aceitar, me leve em sua história".

Para comprar o livro: https://loja.uiclap.com/titulo/ua31095/

Bezerra João é estudante de Ciências Sociais e Relações Internacionais. Me leve em sua história é seu primeiro livro, parte do que será uma trilogia. Leitor, gosta de escrever, ouvir música e sair com os amigos nas horas vagas. Acha que, talvez, seja apaixonado por literatura russa. Instagram: _esjv e Twitter/TikTok: joabezsr.