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30 de ago. de 2026

Chorei bilhões de vezes

 

Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.

23 de mar. de 2026

Aos vermes

 

Esta tirinha é uma tradução, visceral e punk, da dedicatória mais famosa da literatura brasileira. O Brás-zumbi de Leonardo Cardoso, pele colorido-esverdeada, grandes órbitas vazias e dentes esqueléticos, as mãos cruzadas sobre o peito em um gesto de cadáver decoroso, é o aristocrata brasileiro que se recusa a morrer, mesmo quando a pele já se foi. Um quase riso em seus ossos (onde antes eram lábios) denuncia sua pretensa superioridade. 

Enquanto isso, as larvas o rodeiam, prontas para o que há muito já é seu banquete principal. Será que o Brás Cubas, após séculos de cinismo literário, finalmente aceitou a sua verdadeira forma: um zumbi em decomposição, eternamente ridículo? Ou, ao contrário, continua o mesmo: um cadáver que se recusa a calar a boca?

13 de jan. de 2026

A podridão me serve de Evangelho...

Por Leonardo Cardoso


"Como um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo à Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho...
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
É com certeza meu irmão mais velho!"

(Augusto dos Anjos)

 


Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.

21 de dez. de 2025

Quando o Milan Kundera fala, abra o coração!

 

Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.

26 de out. de 2025

Quem inventou a fome?

 

Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.

24 de set. de 2025

Produção de riqueza/pobres em massa

 Por Leonardo Cardoso


Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.

7 de set. de 2025

Acautelai-vos

Por Leonardo Cardoso

 

Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.

26 de jul. de 2025

O beijo, amigo, é a véspera do escarro

 Por Leonardo Cardoso


Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.

6 de jul. de 2025

Que ventre produziu tão feio parto?!

 Por Leonardo Cardoso



Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.

5 de nov. de 2021

'O Ateneu', de Raul Pompéia

 

Por Glênio Cabral

Obra de Raul Pompéia com forte viés autobiográfico, O Ateneu é narrado em primeira pessoa, tendo o adolescente Sérgio como protagonista. Romance de passagem, a obra tem início com a célebre frase do pai de Sérgio, ao apresentá-lo ao imponente colégio Ateneu: “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai. Prepara-te para a luta”.  Ao longo da narrativa, Sérgio, recém integrado ao colégio interno Ateneu, vai narrando toda a natureza competitiva e muitas vezes selvagem que imperava no ambiente, onde a lei do mais forte prevalecia. Um dos destaques do livro é o diretor Aristarco, chefe supremo do colégio, figura autoritária e inibidora, fonte de temores e frustrações vivenciadas pelo narrador. Muito se tem falado sobre o livro 1984, de George Orwell, como leitura profética prevendo vários acontecimentos sombrios dos dias atuais. O Ateneu, por sua vez, nunca previu nada. Apenas constata o que sempre esteve em voga, a saber, a tirania institucionalizada, a qual precisa ser contraposta a todo momento, não sem luta, sofrimentos e descobertas. No fim das contas, todos vivemos um romance de passagem como O Ateneu. Em que caminhos chegaremos no final de tudo, cabe às nossas ações responderem. Até lá, fiquemos com a ponderação do pai de Sérgio: “Vais encontrar o mundo. Prepara-te para a luta”.

2 de out. de 2021

Farinhei 451

 Por Glênio Cabral

Lançado há 50 anos, o mega clássico distópico Farenheit 451, do autor Ray Radbury, nunca foi tão atual. O livro retrata uma sociedade totalmente entorpecida pelo entretenimento, a ponto de mergulhar num processo de desumanização generalizada, fazendo com que as pessoas vivessem em bolhas alienatórias de pura diversão e prazer, ignorando o verdadeiro caos ao redor. Ao mesmo tempo, nessa sociedade ler é uma atividade proibida. Afinal, a leitura incomoda, faz pensar, toca nas feridas anestesiadas pela seringa de programas televisivos de massa e afins. Coincidência? Pra piorar, os bombeiros agora são responsáveis por fiscalizar as atividades ilegais de leitura e queimar as obras aprendidas, numa espécie de inquisição contra o saber. Em tempos de negacionismos, onde cientistas são perseguidos e acadêmicos condenados à fogueira santa, Farenheit 451 lança luz nas trevas que se alastram, mostrando que a luz é sempre uma opção. Uma ótima opção.