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1 de out. de 2025

A riqueza da cultura argentina em destaque

Bem-vindos à "Semana da literatura argentina", um tesouro preparado pelo O Bule para os amantes da arte! Mas por que, agora, uma semana dedicada à literatura argentina? Por nada em especial. 

Com um conteúdo que abrange resenhas, vídeos-resenhas, dicas de leituras, artigos de opinião, tradução de poemas, organizado por Sinvaldo Júnior, apenas queremos oferecer um pequeno panorama, mas multifacetado, da produção literária e cinematográfica do país vizinho. 

A análise das obras literárias é um dos pilares dessa compilação. A resenha aprofundada de Respiração artificial (Ricardo Piglia), além de desvendar a complexidade narrativa do romance, que entrelaça história argentina, literatura e metalinguagem, também exalta a figura de Piglia como um autor de grande calibre. As recomendações de Ficções, de Jorge Luis Borges, e Sobre heróis e tumbas, de Ernesto Sábato, por sua vez, são um convite irrecusável à exploração de clássicos que, com seus mistérios e intensidade, demandam e recompensam a leitura. 

O cinema argentino também recebe a devida atenção, com a resenha do aclamado filme Argentina, 1985. A descrição do drama de tribunal que retrata o julgamento da ditadura militar entre 1976 e 1983, com seus diálogos cativantes e abordagem sóbria, ressalta a capacidade da produção de ser imersiva sem recorrer ao sentimentalismo. Também teremos uma vídeo-resenha acerca da escritora contemporânea Ariana Harwicz, uma análise abrangente de Whisner Fraga. 

A "Semana da literatura argentina" é mais do que uma simples reunião de textos; é um convite à imersão em um universo rico e diversificado. Os textos, de autoria de Sinvaldo Júnior, Whisner Fraga, Cynthia Beatrice Costa, Allyne Fiorentino e Rogers Silva, apontam para um esforço valioso de curadoria e análise que, sem dúvida, enriquecerá a compreensão sobre as importantes contribuições da Argentina para a literatura e o cinema mundiais. 

Sejam bem-vindos e desfrute dos textos e vídeos!

4 de jul. de 2025

Editorial: Somos ilhas, mas devemos ser arquipélago criativo

 No mundo atual, somos ilhas, mas ilhas que não se comunicam efetivamente com outras ilhas. Há um mar, extenso e profundo, entre uma ilha e outra. Em tempos de vida virtual e redes sociais, apenas fingimos que nos comunicamos, quando na verdade estamos gritando sozinhos, com gritos que não alcançam outros ouvidos e não formam outros gritos. 

No meio literário, a percepção de isolamento é real, seja por opção do próprio escritor, por ingenuidade (o mito do escritor que apenas escreve e recebe os louros por sua genialidade), ou por ele não fazer (ou não querer fazer) parte de certas panelinhas vigentes (hoje, em especial, da cultura woke, apropriação capitalista de pautas progressistas). Esse isolamento, essa realidade criam a necessidade de uma comunidade (de um cooperativismo, de um coletivismo) para que o artista, mais do que ilha, seja um arquipélago em potência. 

A Revista O Bule possui um histórico de coletivismo, mais como plataforma de divulgação de centenas de pessoas, escritores e obras, do que como plataforma literária gerida por uma coletividade. Em geral, ela foi sustentada por pouquíssimas pessoas que doaram seu tempo (às vezes seus recursos) a fim de manter um sonho. Mas ninguém vive de sonho. O próprio sonho não vive de si. Ele se desvanece quando acordamos. No mundo das artes, para que um sonho sobreviva, são necessários resultados concretos ou, no mínimo, alguma recompensa abstrata, como visibilidade, admiração, networking, redes de apoio. No entanto, nem sempre isso ocorreu para quem esteve à frente deste projeto, que mais exigia do que oferecia. Ofereceu muito, tendo em vista toda a sua história, não negamos, mas exigiu mais, muito mais. Eis os motivos de a Revista O Bule passar por muitas pausas durante os últimos quinze anos, desde que foi ao ar, em janeiro de 2010. 

Como viver de literatura no Brasil? Como viver de cinema no Brasil? Como viver de arte no Brasil? São perguntas para as quais muitas respostas foram dadas, desde sempre, ou para as quais ninguém tem a resposta. Um projeto coletivo deveria ser uma resposta possível, desde que a coletividade de fato se engaje, cada individualidade com suas condições e restrições, na gestão e na divulgação deste projeto. É preciso de engajamento, força de vontade, desprendimento e um pezinho no chão, o que nem todos os artistas possuem, infelizmente. Aliás, não queremos viver de literatura ou cinema no Brasil, mas queremos que nossa literatura, nosso cinema cheguem até o outro lado da ponte, que liga uma ilha à outra. Queremos, como qualquer outro, leitores e espectadores.

Na prática, o cooperativismo é um conceito mais justo do que o coletivismo, conceito hoje em dia démodé, em tempos de exacerbação do eu - em tempos em que cada ser, no meio de oito bilhões de seres, se acha mais importante do que outro ser e, por isso, acha que deve receber mais louros, às vezes até mesmo sem os esforços devidos. O cooperativismo subentende, mais do que o compartilhamento de recursos, conhecimentos, frutos e oportunidades, o compartilhamento dos custos e das responsabilidades. Quem hoje, em tempos de falsas e verdadeiras ocupações, de falsas e verdadeiras demandas, de informação caótica e frenética, está disposto a cooperar com o outro, com a produção artística do outro, com a distribuição da arte do outro?


 

No entanto, se acreditássemos que a solidariedade entre artistas está sempre revestida de interesse, não proporíamos - como estamos fazendo aqui - a criação de um espaço de cooperação, inspiração e ajuda mútuas: um espaço que acredita na força da união, do coletivo, do reconhecimento da arte como meio para se atingir, positivamente, o outro em sua individualidade e multiplicidade. Do individual para o coletivo; do coletivo para o individual - eis o trajeto que propomos: artista > artistas > leitor/artista. 

Se você compreende o propósito de fortalecer a arte através da união e da cooperação, se escreve (sobre) literatura e/ou cinema, se está disposto a passar por um processo de seleção para fazer parte deste movimento, entre em contato conosco! Estamos à procura de colunistas fixos e colaboradores. Por e-mail (coisasprobule@gmail.com), vamos tirar todas as suas dúvidas sobre o projeto. Antes, no entanto, é bom frisar algumas coisas… 

A linha editorial da Revista O Bule continua a mesma: a literatura e o cinema, abordados juntos ou separados, com foco - não exclusivo - na produção artística brasileira, tanto a atual quanto a canônica. Priorizamos a diversidade de temas e gêneros (contos, folhetins, artigos de opinião, entrevistas, poemas, resenhas, releases, crônicas, micronarrativas, declamações, vídeos-resenhas, etc.), mas não publicaremos obra artística a partir da análise - sempre complexa - da cor, raça, identidade de gênero, opção política do autor ou autora - ou de  quaisquer características adjacentes à obra. Não publicaremos obra artística por sua potência moralista ou ideológica. Não nos ateremos à arte que, por visar determinados temas da moda, se coloca como a única arte possível em um mundo tão caótico e complexo. Nosso compromisso é com a arte que oferece mais perguntas do que respostas, com a literatura e o cinema que incomodam, fazem refletir, impactam, socam o estômago de quem entra em contato com eles. 

As lições de moral, deixemos para os convertidos e religiosos, que possuem respostas prontas para todos os mistérios do universo. Eles já ocupam espaços demais, hoje em dia. A Revista O Bule não é púlpito. É apenas uma revista de literatura e cinema.

31 de jul. de 2020

Editorial Agosto/2020

Por Rogers Silva

Após uns bons anos fora do ar, O Bule voltou. E – pasmem! – já duramos um mês: um mês de muita literatura, com os contos de Daniel Lopes e Ricardo Novais; as micronarrativas de Adrianna Alberti e Cláudio C. Bastos; os poemas de Milton Rezende; o folhetim de Marcia Barbieri; as crônicas de Glenio Cabral; a resenha de Iasmim Assunção; as ilustrações de Lívia Teodoro; os dois módulos da web-oficina de Rogers Silva; uma entrevista com o escritor João Anzanello Carrascoza; os artigos de opinião que, escritos por Allyne Fiorentino e Sinvaldo Júnior, foram muito discutidos nas redes sociais. E mais: dois sorteios; quase 250 seguidores em nosso novíssimo Instagram; centenas de posts, compartilhamentos e interações no Twitter; mais de 9000 engajamentos, 53 mil pessoas alcançadas e 520 novos seguidores no Facebook. Ah, e lançamos nosso primeiro curso: A arte de escrever narrativas, elaborado por Rogers Silva. 

Para este mês, além do mais do mesmo (os mesmos colunistas, mas com textos diferentes), teremos novidades: uma entrevista com o escritor Bernardo Ajzenberg, autor de Carreiras cortadas (romance), Efeito suspensório (romance), Homens com mulheres (contos) e ganhador de vários prêmios, entre eles o Prêmio Casa de las Américas e o Prêmio de Ficção da Academia Brasileira de Letras; mais dois módulos da web-oficina A arte de escrever narrativas; mais um sorteio de livro; textos de mais colaboradores; o lançamento da nossa Loja, com obras dos colunistas, e da campanha de Apadrinhamento. Conhece Julia Quinn? É uma das autoras cuja obra será resenhada este mês.

Estamos no final de julho. Hoje, dia 31, somam-se mais de 91 mil pessoas que morreram de Covid-19 no Brasil, o segundo país em número de mortos. Este não é um tempo de comemorações, mas é tempo de resiliência e de reflexões. De olhar para a casa, os projetos, a vida e jogar tudo aquilo que não é essencial fora, longe. A literatura (os vários projetos ressuscitados ou criados por aí não me deixam mentir) – a literatura mostrou-se extremamente essencial durante essa pandemia. É, ao mesmo tempo, um meio de fuga de um mundo sombrio e um meio de viver uma vida que, na vida real, nem todos suportariam viver. Mas alguns têm vivido uma vida insuportável, seja porque perderam parentes ou amigos próximos, seja porque não sabem o que vão comer amanhã, seja porque sua mente não consegue suportar o peso da realidade. Ansiedade. Crises. Depressão. Doenças. Mortes. Tomara que tudo isso passe logo.

A literatura expressa, do jeito bem dela, o contexto vigente, e nesta segunda edição não poderia ser diferente: há um escritor desesperado por escrever algo que preste; há donos do silêncio; há ninguéns querendo ser alguéns; há lágrimas de crocodilo; há infectados com seus olhos moribundos e arregalados de terror; há na rua uma árvore / cuja beleza consiste / apenas em existir e / estar ali, ao vento. Há – como não podia ser diferente – muita, muita literatura. Afinal, é para isto que estamos aqui: escrever, publicar, divulgar essa arte que fica impregnada no papel. E em nós.

30 de jun. de 2020

Editorial Julho/2020

Por Rogers Silva

Enquanto muitos foram ou estão indo embora, nós estamos voltando. E voltamos em uma época na qual as artes são mais necessárias do que nunca – em um mundo aprisionado, doente, à beira do caos afetivo e psicológico. Nesses sete anos de pausa, cada colunista, cada escritor, cada editor de site parceiro ou blog de literatura seguiu seu caminho. Alguns – heróis – ainda permanecem lutando pela arte literária; outros estão cuidando de sua vida ordinária, mas não menos importante.

Nós decidimos voltar agora, julho de 2020, em plena pandemia de Covid-19. Uma época triste (que não seja, entretanto, de naturalização da tristeza). Até 30 de junho (dia da escrita deste texto), por exemplo, quase 59 mil pessoas morreram por causa do vírus no Brasil. A literatura não trará esses seres humanos de volta. Ela não possui esse poder. A literatura – como as artes em geral – é um alento em um mundo caótico. Ela nos faz esquecer, por um breve momento, da vida ordinária e nos leva a uma vida às vezes mais rica, quase sempre mais interessante. A literatura também nos faz viver dores que no dia a dia não vivemos, ainda bem. Ou nos faz esquecê-las. A literatura é poderosa, e é por isso que ela é pouco divulgada, distribuída, ora combatida. E é por isso que decidimos voltar. Somos dez pessoas (seis mulheres, quatro homens) com um objetivo em comum: criar arte, com foco na arte literária.

Antes éramos um coletivo literário. Agora, além de coletivo, somos uma

E para dar início à nossa primeira edição, tivemos a honra de entrevistar o escritor João Anzanello Carrascoza, cuja prosa poética deixa marcas. “De quais autores canônicos da literatura, nacional e estrangeira, você

A Márcia Barbieri (outra colunista das antigas) publicará n’O Bule, em formato de folhetim, quinzenalmente, seu mais novo romance:

Outro projeto a que damos seguimento é o da web-oficina. Agora, o responsável por ele sou eu, Rogers Silva. Quinzenalmente será publicado um texto (+ imagens, vídeos e atividades) com dicas para escritores iniciantes. Dias 15 e 28 serão os dias de sua publicação. Fique antenado. As micronarrativas ficarão por conta da pesquisadora e escritora Adrianna Alberti; os contos, sob a responsabilidade do escritor Ricardo Novais. Uma novidade é a resenha sobre obras jovem-adultas escrita pela Iasmim Assunção, uma mocinha de 15 anos apaixonada por artes e literatura. Obviamente que não esqueceríamos dos poemas, que sairão das cartolas (muitas) do mineiro Milton Rezende. Esperamos que sua linguagem límpida, altamente comunicativa, lhe agrade, leitor exigente.

E para acompanhar todos esses gêneros, lançaremos muitas campanhas de incentivo à leitura; de parcerias entre pares, como o Literaturas em Redes; de patrocínio e apadrinhamento. Tudo com a intenção de permitir que, tanto nós quanto quem quiser colaborar, tenhamos mais um espaço constante para comer, beber, devorar literatura. O Bule está de volta. Seja bem-vindo.