A identidade
literária de Rogers Silva não pode ser dissociada de sua origem no bairro
Alvorada, em Uberlândia, Minas Gerais. Sua trajetória é marcada por uma
transição significativa da sobrevivência econômica para o rigor da academia.
Durante sua juventude, Rogers atuou como vendedor de pamonha, laranjinha
(geladinho), sorvete, pastel, uma experiência que ele descreve como fundante
para sua percepção da realidade urbana e das dinâmicas sociais. Esta vivência
na periferia urbana de Uberlândia forneceu-lhe uma "biblioteca de
vivências" que, anos mais tarde, seria transmutada em ficção.
A educação de Rogers deu-se integralmente em instituições públicas, com destaque para a Escola Estadual Lourdes de Carvalho, do Bairro Alvorada, Uberlândia/MG. Um ponto de inflexão crucial em sua jornada foi o início tardio da leitura literária. Diferente de muitos escritores que crescem cercados por livros, ele só teve seu primeiro contato profundo com a literatura aos 18 anos, impulsionado pela necessidade de preparação para o vestibular de Letras na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Esse encontro tardio com autores como Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles e Carlos Drummond de Andrade não foi um impedimento, mas sim um catalisador de um interesse voraz que o levou a se dedicar tanto à escrita de ficção quanto à escrita de textos acadêmicos sobre literatura.
O percurso acadêmico de Rogers Silva influenciou diretamente sua produção criativa. Entre 2013 e 2021, ele viveu um hiato na ficção para dedicar-se à escrita técnica e acadêmica, produzindo resenhas, artigos, tese, etc. Este período de silêncio criativo ficcional foi, na verdade, um momento de maturação estilística. O estudo profundo de Carlos Drummond de Andrade, tema de seu doutorado, permitiu-lhe compreender a mecânica da poesia e da prosa curta, influenciando a densidade e a precisão de seus novos textos.
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