Na manhã tântrica
línguas babilônicas
serpenteiam fluídas
sorvendo leite da
carne
no corpo solar
Na manhã tântrica
uma dança xamânica
germina no ventre do
signo
partejo fábulas corcéis labirintos
Flâmulas vibram espasmos
entorno da ânsia: o
grito
Serpente dourada
protege
a manjedoura do filho
na parede da casa
a memória urtigada
dos sentidos
*
Contorcia a língua
no ventre do silêncio
para entreabrir a palavra
em ritmo de alaúde
em mantra ou mandarim
o corpo perfumado em chá branco
poros em flor vestidos de luz
delineando contornos
que a penumbra produz
do corpo solar emerge
o sopro que me anima
a vívida aurora
íntima
olho para o alto
pássaros na bruma da manhã
atravessam-me
cada gesto é frágil
e carrega o peso do mundo
há que se ter coragem para ser
*
Espero na sombra
uma palavra que
se despregue
das paredes
do poema
e me atinja
como sol
dinamitado
espero a vida ávida
da palavra-lâmina-lamparina
lacerando a carne
bifurcando a língua
e fotografe o tempo
esse agoraprolongado
daqui da sombra
vejo a fosforescência:
germina um corsário
Ana Yanca, natural de Porto Velho, atua como professora na área de linguagens. É graduada em Letras, Pós-graduada em Filosofia Contemporânea, Mestra em Estudos Literários e autora da obra Do corpo ao espaço em Hilda Hilst. Outros poemas, além das colagens digitais, estão disponíveis em meios impressos e virtuais.
