21 de mar. de 2011

Resumo da semana

20 MARÇO, 2011

Três contos curtos de Nilto Maciel

Trem-fantasma


-O maquinista, logo após o desastre, deu um grito, levou as mãos à cabeça, pôs-se a chorar e recostou-se a um canto da parede, sentando-se. Descuido? Imprudência? A locomotiva partiu da estação primeira já em alta velocidade e, num segundo, alcançou a segunda, a terceira, feito bala, apitando, sem parar em nenhuma estação. Quando o maquinista percebeu o perigo, não havia mais tempo para frear o trem. O precipício abria-se à sua frente, profundo, mortal. O homenzinho fez careta, arregalou os olhos: os vagões resvalaram, despedaçando-se no fundo do abismo. "Ó meu Deus!" Porém, havia um consolo: nenhum passageiro havia subido aos vagonetes. E ajudantes ele nunca teve. Assim, nada de vítimas. Mais sossegado, enxugou as lágrimas e engatinhou até o primeiro pedaço do trem. Pôs-se a juntar um a um os restos do veículo. Olhou para cima, para a grande mesa da sala, onde o desastre teve início.

(Continua...)

*** ***

19 MARÇO, 2011

Pornopulp - Pequena trilogia pornográfica-

Por Rodrigo Novaes de Almeida-

Masturbação
-

Chico fumava um cigarro na janela do seu quarto. Tinha acabado de acordar. Três da madrugada. Merda de pesadelo, e que vontade filha da puta de mijar. Mijou, bebeu um copo d’água e acendeu o cigarro. Agora olhava para as janelas do prédio vizinho que, com o seu, se fechavam num vão quadrado quase fechado. Contou quantos apartamentos tinham luzes acesas àquela hora. Apenas dois, além do seu. O cigarro ia pela metade quando outra luz explodiu à sua frente. Fria, vinha pelos espaços de um basculante. Era um banheiro. Uma mulher começou a escovar os dentes diante do espelho. O basculante escancarado, aberto na horizontal. Ele podia ver a mulher de costas para ele, mas também de frente no reflexo do espelho do banheiro. Ela usava uma camisa branca que chegava até a metade das suas coxas. O cigarro acabou e Chico continuou observando a escovação dos dentes da mulher. Mais três ou quatro minutos. Que paciência, deve ter uns dentes e tantos. Pronto, acabou. Bochechou e cuspiu. Abaixou a calcinha, chegou para trás e sentou. Chico arregalou os olhos e, num gesto involuntário, agarrou a grade da janela. Pelo espelho ele podia ver os pentelhos pretos e volumosos da mulher. Ela estava sentada no vaso sanitário. Pegou um pedaço de papel higiênico e levou à boceta. Contudo, não se levantou. Vai dar uma cagada, só pode ser. Nada. De repente ela abriu as pernas, a boceta saltou pra frente e ela começou a se tocar. Primeiro com dois dedos, depois eram dedos que não terminavam mais. Chico já estava de pau duro. Abaixou a cueca e começou a bater uma punheta. Com a mão direita no pau, e a esquerda segurando a grade da janela. Puta que pariu, que bocetão. Safada da porra. Merda, estou sem papel, vou gozar no chão mesmo. Ou na cueca? Não, na cueca não. Chico subiu na janela, segurando firme na grade com a mão esquerda, e descabelando o palhaço com a mão direita. Vou gozar, caralho. Que bocetão, ela não para. Vou gozar, vou... Era porra jorrando, caindo do décimo andar.

(Continua...)

*** ***

18 MARÇO, 2011

O menos importante em 'A morte em Veneza', de Thomas Mann

Por Sinvaldo Júnior.

A novela A morte em Veneza, de Thomas Mann, apesar de não ser sua obra mais famosa (que é, com certeza, A montanha mágica), é, desde o seu surgimento, considerada uma obra-prima pela tradição literária. Em poucas páginas (de oitenta a noventa, dependendo da edição e editora), o autor consegue discorrer sobre alguns assuntos capitais para a literatura e a arte em geral, se destacando – entre todos – a questão do Belo.

(Continua...)

*** ***

17 MARÇO, 2011

Mais concursos literários - Março e Abril de 2011

Segue relação de mais nove concursos literários abertos, nacionais e internacionais, para diversas modalidades!

Boa sorte a todos!

(Continua...)

*** ***

16 MARÇO, 2011

Juca Brasil, herói particular – Parte III

Por Ricardo Novais

As semanas ociosas são esplêndidas. Quando a semana é produtiva tudo é ruidoso, ornamentado, aborrecível, estressante. Uma semana ociosa bate à porta de um super-herói acovardada, cabisbaixa, com o rabo entre as pernas.

- Boa tarde! Tenho pouco a dar, trago os bolsos vazios; mas já ouvi falar muito do senhor...

- Juca Brasil, às ordens!

(Continua...)

*** ***

12 MARÇO, 2011

Os olhos de Deus

Por Geraldo Lima..

Se o primeiro homem tivesse tido o poder de permanecer reto tanto quanto o de tombar, se tivesse na posse de si mesmo e de uma natureza ainda não viciada, como poderia ter acontecido que, possuindo saber e prudência, tenha caído? (SPINOZA)

A porta entreaberta, uma frincha só, mas é o bastante para que a imaginação flua intensa. Pode sentir a respiração se descontrolando, arfante, e dentro do peito o coração aos pulos. A garganta seca de repente: cão hidrófobo.

É possível retornar dali mesmo, sem transpor o que ele chama agora de umbrais do inferno — ou do paraíso? Inferno e paraíso debatendo-se no seu íntimo: delícias — e tormentos logo depois; prazer — e a dor em seguida. Não, é impossível retroceder a partir deste ponto: aí está a ideia fixa, o desejo, a porta entreaberta arrastando-o para o interior do redemoinho. Se fizer meia-volta, carregará, até o último dia de vida (e que pode já estar muito próximo), uma sensação enorme de renúncia, de desperdício, de fraqueza diante do grandioso.

(Continua...)

>>> TUDO isso e mais aqui n’O BULE ( www.o-bule.com )