Agora eu era o lendário
Juan Ponce de León que,
já naquela época, andava afoito
atrás da Fonte da Juventude.
Também como ele e todos os demais
homens, eu sentia que a minha vida tinha sido
desbaratada até então no mais puro equívoco,
e que eu precisava de uma segunda chance.
Consultei todos os compêndios e manuais
antigos onde eu pudesse encontrar a fórmula
do Elixir da Longa Vida, pois eu já havia
nascido doente da alma e com fome no estômago.
Eu precisava, portanto, e com a máxima urgência
de uma panaceia qualquer para me dar um
pouco de acalanto depois de tantas decepções
durante minhas expedições e jornadas perdidas.
Equipei um laboratório no porão desativado e
nele instalei minha alquimia de sábio ancião
a partir do cinábrio, enxofre, arsênico e mercúrio,
conforme as lendas urbanas desde os espanhóis.
Entretanto antes de eu alcançar qualquer
sucesso ou lograr algum avanço científico
em minhas pesquisas, fui atingido por uma
flecha envenenada disparada por uma tribo.
Do livro O Jardim Simultâneo.
Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF, depois morou e trabalhou em Varginha (MG). Funcionário público aposentado, morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados e quatro e-books. Tem um site e um blog.
Fortuna crítica: “Tempo
de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton
Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).