Por Milton Rezende
Somos apenas alguns
e o mundo todo pesa
sobre nós o seu peso
de mundo que machuca.
Somos apenas alguns
que transitam em meio
aos destroços de nós
e ao redor dos sonhos.
Somos apenas alguns
que dividem o silêncio
de cada exílio para que
em nós algo se restaure.
Somos apenas alguns
e o resultado de nós
nessa sequência de buscas
é ainda o que não achamos.
Somos apenas alguns
e esperamos que o dia
esclareça luzes sobre
o nosso absurdo de nós.
Somos apenas alguns
que não sabem o que fazer
de nós e da vida que temos
e que precisam de ajuda.
Somos apenas alguns
ao redor de uma mesa
ou de um pensamento
e nos amamos com receio.
Do livro Areia (À fragmentação da Pedra).
Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF, depois morou e trabalhou em Varginha (MG). Funcionário público aposentado, morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados e quatro e-books. Tem um site e um blog.
Fortuna crítica: “Tempo de
Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”,
de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).
